@projetofalesias

acaricia meus dedos
e desce os dedos
lambe a longa linha
saliva
caminha da vulva ao céu
me arrepia, estremeço
atravesso o rio que corre
e se aprofunda
pressiona e tensiona
vibra
e ouve o gemido

teu corpo ardendo em chuva
meu gozo, explosão e mel

Lais Eva

come
mas come com força
mastiga com firmeza
mata com pressa
fera abatida
sem membros
sem medos
suga-me a vida
enfia os dedos
na tua comida
devora a minha carne
não sou rígida
meu coração mole
minha pele mórbida
sou o teu banquete
sobre a mesa, despida

Anônima

Luzes, incenso, a música no replay e um baseado.
A dança era de olhos fechados e riso desconfiado.
Pegava a nuca bagunçando os cabelos ondulados.
A mão deslizava pelo corpo, as pontas dos dedos passeavam pelos braços em toques tão leves, que mais parecia tecido no vento da praia quando encosta na pele da gente.
A língua tentava alcançar qualquer dobra que fizesse encolher o corpo inteiro.
De arrepio.
Os dedos da mão direita tocavam a boceta
l e n t a m e n t e
em movimentos circulares, enquanto a outra acariciava
cada seio.
Já bem molhados, levei-os à boca e chupei.
Confesso que não costumo fazer isso, mas aquele gosto e o cheiro eram tão meus e de mais ninguém.
E eram bons. Por que não me permitiria?
A mão voltou à boceta, agora em ritmo mais acelerado, a respiração estava forte, pernas inquietas e a carne trêmula.
E quente.
Suspirei profundo e mais íntima de mim.
Descobri que eu posso fazer uma grande festa no meu corpo.
E você?
Já fez festa no seu hoje?
.
Escrito por uma mulher lésbica

Eurídice

Lá fora é frio…aqui dentro várias camadas de tecido deitam sobre a minha pele. Uma lã delicada acaricia os meus seios, e o algodão da calcinha que toca meu sexo convida os pêlos pubianos a curvarem-se gentilmente sob a tessitura de seus fios. Desperto devagar, estou gostosamente aquecida, e me movo com preguiça. Afagada por este despertar silencioso, eu fui percebendo aos poucos que, enquanto dormi, ocorreu uma pequena subversão: a minha calcinha foi sugada sem pudores pelas minhas nádegas. Por causa dessa travessura, a minha vulva fora delicadamente dividida e os meus orifícios sentiram o feliz roçar dos alinhavos do tecido. A cada pequeno movimento, um sarro delicioso e aventureiro acontecia entre o indiscreto elástico e a carne vermelha e lisa do meu sexo. Um desejo furioso e egoísta de me comer aconteceu. Quis foder gostoso. Trepar meus dedos- língua- buracos. Deslizei minhas mãos por baixo das muitas camadas de roupas e lençóis, e tomei meu corpo para mim. Apertei meus seios quase me causando dor e, se eu pudesse, mapearia-lhes com a minha língua, decoraría-lhes a topografia de suas curvas até seus picos que, enquanto os descrevo, quase explodem de tesão. Na impossibilidade de me comer com minha boca, fiz das minhas mãos a morada do meu corpo e meus dedos seguiram descendo até serem inundados. Volúvel, a minha boca a esta altura já chupava com danação os dedos, e minha calcinha seguia em seu sarro indecoroso. Gemi, sorri, tremi, até que lágrimas escorreram. Naquele momento amei o mundo. Morri pequenamente. Respirei fundo. Quis ouvir uma música…
…talvez, quem sabe, uma valsa… aquela com nome de ninfa.