Lais Eva

come
mas come com força
mastiga com firmeza
mata com pressa
fera abatida
sem membros
sem medos
suga-me a vida
enfia os dedos
na tua comida
devora a minha carne
não sou rígida
meu coração mole
minha pele mórbida
sou o teu banquete
sobre a mesa, despida

Anônima

Luzes, incenso, a música no replay e um baseado.
A dança era de olhos fechados e riso desconfiado.
Pegava a nuca bagunçando os cabelos ondulados.
A mão deslizava pelo corpo, as pontas dos dedos passeavam pelos braços em toques tão leves, que mais parecia tecido no vento da praia quando encosta na pele da gente.
A língua tentava alcançar qualquer dobra que fizesse encolher o corpo inteiro.
De arrepio.
Os dedos da mão direita tocavam a boceta
l e n t a m e n t e
em movimentos circulares, enquanto a outra acariciava
cada seio.
Já bem molhados, levei-os à boca e chupei.
Confesso que não costumo fazer isso, mas aquele gosto e o cheiro eram tão meus e de mais ninguém.
E eram bons. Por que não me permitiria?
A mão voltou à boceta, agora em ritmo mais acelerado, a respiração estava forte, pernas inquietas e a carne trêmula.
E quente.
Suspirei profundo e mais íntima de mim.
Descobri que eu posso fazer uma grande festa no meu corpo.
E você?
Já fez festa no seu hoje?
.
Escrito por uma mulher lésbica