@projetofalesias

acaricia meus dedos
e desce os dedos
lambe a longa linha
saliva
caminha da vulva ao céu
me arrepia, estremeço
atravesso o rio que corre
e se aprofunda
pressiona e tensiona
vibra
e ouve o gemido

teu corpo ardendo em chuva
meu gozo, explosão e mel

Eurídice

Lá fora é frio…aqui dentro várias camadas de tecido deitam sobre a minha pele. Uma lã delicada acaricia os meus seios, e o algodão da calcinha que toca meu sexo convida os pêlos pubianos a curvarem-se gentilmente sob a tessitura de seus fios. Desperto devagar, estou gostosamente aquecida, e me movo com preguiça. Afagada por este despertar silencioso, eu fui percebendo aos poucos que, enquanto dormi, ocorreu uma pequena subversão: a minha calcinha foi sugada sem pudores pelas minhas nádegas. Por causa dessa travessura, a minha vulva fora delicadamente dividida e os meus orifícios sentiram o feliz roçar dos alinhavos do tecido. A cada pequeno movimento, um sarro delicioso e aventureiro acontecia entre o indiscreto elástico e a carne vermelha e lisa do meu sexo. Um desejo furioso e egoísta de me comer aconteceu. Quis foder gostoso. Trepar meus dedos- língua- buracos. Deslizei minhas mãos por baixo das muitas camadas de roupas e lençóis, e tomei meu corpo para mim. Apertei meus seios quase me causando dor e, se eu pudesse, mapearia-lhes com a minha língua, decoraría-lhes a topografia de suas curvas até seus picos que, enquanto os descrevo, quase explodem de tesão. Na impossibilidade de me comer com minha boca, fiz das minhas mãos a morada do meu corpo e meus dedos seguiram descendo até serem inundados. Volúvel, a minha boca a esta altura já chupava com danação os dedos, e minha calcinha seguia em seu sarro indecoroso. Gemi, sorri, tremi, até que lágrimas escorreram. Naquele momento amei o mundo. Morri pequenamente. Respirei fundo. Quis ouvir uma música…
…talvez, quem sabe, uma valsa… aquela com nome de ninfa.